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sábado, 21 de junho de 2008

Entrevista Alessandro Teixeira,Presidente da Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil)


Alessandro Teixeira

Presidente da Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira


O atual presidente da Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira, assumiu a nova pasta no ano passado.Teixeira pretende marcar sua administração pelas ações de marketing, atuando nos mercados prioritários.
Uma das propostas da nova gestão da Apex, é unir a promoção comercial e a atração de investimentos no Brasil. A entidade tem um orçamento para este ano de aproximadamente R$ 200 milhões.
Alessandro Teixeira é economista, graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Economia na América Latina (USP) e doutor em Competitividade Tecnológica e Industrial, com ênfase em Comércio Exterior pela Universidade de Sussex, Inglaterra. Quando presidiu a ABDI, coordenou a Política Industrial e de Comércio Exterior do Governo.

A taxa de câmbio para 2008 deve apresentar variações indicando que o dólar vai oscilar entre R$ 1,72 e R$ 1,80. Esse comportamento poderia colocar em risco as exportações brasileiras?

Teixeira: A taxa de câmbio pode oscilar ainda mais por causa do processo de recessão da economia americana. Claro que essa situação deve gerar um impacto nas exportações brasileiras, mas não acredito que coloque em risco as exportações brasileiras. A economia brasileira é uma economia internacionalizada e consolidada. As empresas vêm ganhando competitividade no âmbito nacional e acredito que o Brasil se fortaleça cada vez mais como economia mundial e que suas empresas tenham uma inserção cada vez mais ativa no cenário internacional. Então dessa forma, nós não colocaremos em risco as exportações brasileiras. O que nós teremos provavelmente será um aumento das importações. Aumentando as importações e exportações, teremos um aumento da corrente de comércio brasileira, o que garante uma redução da vulnerabilidade da economia, e um melhor frente ao cenário internacional.

Na visão da APEX, quais as tendências para o agronegócio em 2008?

Teixeira: A tendência é que em 2008 o Brasil continue sendo um dos maiores exportadores do agronegócio, principalmente na área de commodities e bens semi-manufaturados. E o que podemos observar é que os preços internacionais tem se mantido elevados. Então, acredito que os produtos como soja, açúcar, café e laranja continuem sendo comercializados por altos preços. Claro que esse cenário depende muito do tamanho da crise americana, que é um dos maiores consumidores de commodities. Outro fator que pode influenciar é a expansão de mercados como a China e a Índia, que também consomem muito.


O fumo é um dos principais produtos exportados pelo Brasil e existem grandes produtores no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Como o setor fumageiro pode contribuir para manter o País como um dos maiores exportadores do mundo?

Teixeira: Eu acredito que o setor continue crescendo em 2008, principalmente pelo aquecimento dos mercados chinês e indiano que são grandes consumidores do fumo brasileiro. Mas, temos que estar atentos para um impacto negativo que pode ocorrer por causa da agressividade das campanhas de redução de tabagismo na Europa e Estados Unidos que são grandes mercados consumidores. Portanto temos que pensar como obter melhor rendimento das políticas do governo e do setor para que no futuro não perdamos a comercialização em mercados importantes.

O que a APEX está fazendo para tornar nossos produtos conhecidos no exterior?

Teixeira: Estamos desenvolvendo novas ferramentas de para tornar os produtos brasileiros conhecidos no exterior. Criamos dentro da agência o setor de Inteligência Comercial. Por meio de um trabalho criterioso é possível identificar oportunidades que antes não eram claras para a oferta exportadora brasileira. Para ilustrar, posso citar o evento Brasil Fashion Now, realizado em Tóquio, no ano passado, cujos bons resultados estiveram diretamente relacionados à detalhada pesquisa e prospecção do mercado de moda japonês. Além disso, estamos mais participativos em eventos internacionais. Nós passamos de uma participação média de 450 eventos para mais de 600 em 2007. Estamos também dando mais incentivo à vinda ao Brasil de jornalistas especializados e compradores estrangeiros para que os nossos produtos sejam mais conhecidos no exterior. Também estamos trabalhando de forma mais intensa com as agências de promoção de outros. Um das ações que realizamos foi o evento de TPO’s (Trade Promotion Organizations, ou Agências para Promoção de Exportações). O encontro reuniu todas as agências da América Latina e Caribe no final do ano passado no Rio de Janeiro com o objetivo de discutir a integração comercial entre os países da região. Através da cooperação e da troca de informações, poderemos alcançar um maior crescimento do comércio e dos investimentos.

Quais os investimentos que estão sendo realizados em marketing neste sentido?

Teixeira: Os investimentos não são somente voltados para marketing institucional, mas principalmente melhorar a nossa participação em feiras, congressos internacionais e rodadas de negócios. Este ano, por exemplo, investimos fortemente na feira de Anuga, a maior feira de alimentos do mundo que aconteceu na Alemanha em setembro do ano passado Tivemos a participação recorde de 125 empresas, de 14 estados e como resultado obtivemos um volume de negócios de mais de US$ 343 milhões. Estamos promovendo também a participação brasileira na maior feira de alimentos e bebidas do Japão, a FOODEX, que será realizada em março na cidade japonesa de Chiba, onde serão esperados 2.400 expositores de 60 países.


A Apex pretende construir mais Centros de Distribuição? Hoje, quantos centros existem?

Teixeira: Hoje existem cinco centros de negócios, que estão em Lisboa, Portugal, Miami, Estados Unidos, Varsóvia, na Polônia, Dubai, nos Emirados Árabes e Frankfurt, na Alemanha. Este ano, pretendemos instalar um na China e um na América Latina, além de provavelmente um no mercado norte-americano.
Fechar acordos de cooperação com empresas estrangeiras, como supermercados e lojas, é uma alternativa para tornar nossos produtos conhecidos lá fora?

Teixeira: Sem dúvida, diminuir a distância entre o consumidor final e os nossos produtores é fundamental. Fazer um trabalho direto para os consumidores internacionais onde mostramos o nosso produto de forma que o consumidor entenda o que é o Brasil é um trabalho de acesso a mercado e também de imagem do produto brasileiro. Isso a Apex-Brasil vai continuar fazendo e além disso, devemos desenvolver esse trabalho em mais de 10 países este ano.

A participação das micro, pequenas e médias empresas brasileiras é pequena em volume de exportação. Quais os incentivos que a Apex fornece à essas empresas na primeira venda externa?

Teixeira: Noventa e cinco por cento dos parceiros da Apex-Brasil hoje são micro e pequenas empresas. Oferecemos apoio em todo o trabalho que as empresas precisam, desde a inteligência comercial como exportar, participar de feiras, apresentar e vender seu produto, como vender e entregar, tudo feito por nossos gestores. Um exemplo é o caso da grife Amonstro que exportava para somente uma loja no Japão, mas tinha o perfil do mercado japonês. A Apex-Brasil deu todo o suporte, desde como se comportar perante o comprador até como fazer a exportação.

Estados Unidos e Canadá e alguns países da Europa são os destinos para onde as micro e pequenas empresas mais exportam. Quais os mercados emergentes hoje para o Brasil explorar?

Teixeira: Para as micro e pequenas empresas investir em mercado como a América Latina, África e Oriente Médio podem dar excelentes resultados. Esses países são tão exigentes quanto mercados como Europa e Estados Unidos, mas possuem menos barreiras técnicas. É mais fácil micro e pequenas empresas se adequar a esses mercados do que na Europa e nos Estados Unidos que são mercados extremamente competitivos e exigentes.


Qual a sua opinião a respeito em relação ao setor logístico-portuário nacional?

Teixeira: Hoje, a questão logística é fundamental para as exportações. Não haverá ampliação forte das exportações sem investimento na área logística portuária.
Se o Brasil tivesse um apagão logístico total, provavelmente teríamos um impacto maior nas exportações do que o impacto de uma crise americana. O governo vem fazendo investimentos dentro do PAC pra suprir as necessidade portuárias. Nos recuperamos todo o trabalho feito da industria naval que estava parado no país. Fizemos um trabalho do reporto, o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária um programa do governo federal que suspende a cobrança de tributos na compra de máquinas e equipamentos para os portos. A política de fortalecimento da indústria naval, somada ao investimento que estamos fazendo nos portos é extremante importante para que consigamos ampliar as exportações.

Qual a meta de exportações da APEX para este ano?

Teixeira: Com uma projeção de uma taxa de crescimento do PIB mundial de 4,6% a 5,2% devemos ter um volume de exportações de US$ 172 bilhões.

Na sua opinião, o que é necessário para implantar no Brasil, definitivamente uma cultura exportadora?

Teixeira: A exportação tem que estar dentro da estratégia de nascimento dos negócios de um empresário. Portanto, o que falta para a cultura exportadora estar bem colocada no país é um melhor aproveitamento das ações de empreendedorismo oferecidas por órgão como o Sebrae, federações das indústrias dos estados, agências de fomentos como o Finep... A empresa tem que nascer internacional, não se voltar somente para o mercado interno e quando esse mercado tem um desaquecimento ela procura a exportação. Hoje, não temos mais somente um mercado interno, temos um mercado global. Portanto, ter políticas que fortaleçam o empreendedorismo voltado para o processo de internacionalização é fundamental.

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