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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A cozinha dos velejadores



Responsável pelo píer do Museu Oceanográfico da Furg, Lauro Barcellos reunirá em livro as melhores frases sobre os prazeres de navegar

Por Rafael Mano Divério/ Jornal Zero Hora

Um local com uma vista privilegiada no píer do Museu Oceanográfico, da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), no sul do Estado, ganha fama entre velejadores de todo o mundo. A cozinha montada pelo professor Lauro Barcellos é um dos recantos preferidos do ponto de apoio aos aventureiros que passam pelo sul do país, e o pagamento para quem a utiliza é apenas uma resposta à pergunta: “o que é um barco a vela?”.



Montar uma coletânea com as respostas é o objetivo do professor, para, quem sabe, publicar um livro. Atualmente, são 160 páginas respondidas no segundo caderno de visitas. O primeiro já foi totalmente preenchido. Uma pequena mostra da importância adquirida entre navegadores do mundo inteiro, que boca a boca e pelas redes sociais divulgam o local de hospitalidade elogiada.

A parada no museu é estratégica para os navegadores, já que Rio Grande é o único porto entre Santa Catarina e o Uruguai. Apoio importante para quem precisa fazer reparos nas embarcações, o píer ganhou fama mesmo pela recepção calorosa de Lauro – como prefere ser chamado:

– A cozinha é meu ambiente preferido. É onde as pessoas se sentem em casa.

O caderno de visitas da cozinha de Lauro Barcellos é um capítulo à parte na história do píer. Daria para passar a tarde lendo os recados deixados por centenas de navegadores. Mas além da tarde livre, seria necessário saber, pelo menos, 12 idiomas. Há frases em português, inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, holandês, dinamarquês, sueco, turco, finlandês e até coreano.

Mas, não é apenas pela simpatia que Lauro conquista os visitantes. É também pelo estômago que os fisga, e é fisgado. Como troca, dentro deste intercâmbio gastronômico, pede que o visitante prepare algo típico de sua região. O que de mais diferente já provou? Purê de carne com pêssego, preparado por um holandês, e repolho roxo cozido no vinho, feito por dinamarqueses. Quando é a vez de Lauro ir às panelas, ele exibe com orgulho os dotes na culinária gaúcha: costuma preparar aos visitantes um típico espinhaço de ovelha.

Na cozinha de Lauro até há um rádio e uma TV, mas ligados basicamente nos momentos solitários. Quando há visitantes, basta ouvir as histórias de cada um para que o tempo voe. Ou navegue.

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